Ex-gay italiano se converteu pela intercessão de Maria e hoje é pai de família

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Luca di Tolve ganhou o ‘Mister Gay’ na Itália, nos anos 1990, mas a sua história ficou conhecida no mundo depois que o cantor Giuseppe Povia escreveu a música ‘Luca era gay’. Agora escreveu o livro ‘Eu era gay’, no qual explica porque e como mudou radicalmente de vida.

Em entrevista concedida ao Grupo ACI, Luca di Tolve conta que teve uma infância muito difícil. “Meus pais sempre discutiam e depois de algum tempo se separaram. A minha mãe me criou sozinha e, quando chegava tarde do trabalho, eu ficava com uma família vizinha, onde todas eram meninas e criticavam o meu pai porque tinha nos abandonado”, explica.

“Eu não tive esse modelo masculino para o qual olhar e, na verdade, cresci com ódio do meu pai, pela situação na qual eu e a minha mãe estávamos. Eu não podia jogar futebol com meus colegas porque não sabia como jogar”, recorda.

Na adolescência, começou a sentir uma atração por um colega da sua turma. “Ele era o mais alto, o mais forte, o mais atlético e inteligente… E eu via nele tudo o que queria ser e comecei a gostar dele. A minha mãe se preocupou porque à noite eu dizia o seu nome, levou-me ao psicólogo e lhe disse que eu era homossexual e que ela tinha que aprender a me amar assim. Mas ninguém tinha me perguntado o motivo dessa atração, por que tinha essa tendência ou onde teve a sua origem”, conta Luca di Tolve.

Aos 16 ou 17 anos, Luca se tornou amigo de um menino de uma escola próxima que também era gay e que o levava a discotecas e aos lugares gays. “Nesses ambientes, tentei me recuperar de todo o sofrimento que passei no colégio e me contrataram para dançar nesta discoteca. Eles me pagavam aproximadamente 150 euros, que para um menino tão jovem era muito dinheiro”, relata ao Grupo ACI.

Depois se apresentou no primeiro concurso ‘Mister Gay Itália’ e ganhou. “A minha ambição era ser alguém famoso, conhecido. Vivia na rua mais cara de Milão, ia aos desfiles de moda e conheci Dolce Gabanna, Gianni Versace e todos os estilistas. Eu passava as minhas férias em Sardenha, no barco de um amigo e ao lado estava Madonna e outras celebridades”.

A depressão e a conversão

Depois de uma viagem, começou a sentir-se mal e permaneceu hospitalizado durante um mês, foi diagnosticado como soropositivo, ou seja, portador do HIV, e tinha que começar imediatamente o tratamento para não desenvolver a doença.

“Então, entendi que não há nada no mundo que possa ajudar a enfrentar a morte. Começou a cair o meu cabelo, a minha pele estava muito ruim… e esta situação, para um jovem narcisista como eu, era duplamente terrível”.

Passando por uma profunda depressão, no pior momento, Luca viu um terço e uma imagem da Virgem que estava na sua casa como decoração.

“Naquele momento, pensei que a Virgem realmente existe e com essa consciência eu rezei o terço e aconteceu algo inacreditável. Caí de joelhos e comecei a sentir uma paz profunda como nunca senti, era o amor da Virgem que, com os braços abertos, me encorajava a seguir em frente. Chorei muito e desde então só escutava a Radio Maria, porque queria rezar todos os terços que pudesse para sentir essa paz novamente”.

Encontrou a força para sair de casa e ir se confessar em uma igreja próxima. “Na confissão, percebi que justificava tudo o que tinha feito, como ser prostituído, pela dor que tinha dentro de mim”, recorda.

Depois de voltar à fé, Luca continuava tendo atração pelo mesmo sexo, mas encontrou o grupo internacional Living Waters, que ajuda pessoas nessa situação. “Pensei que não perderia nada se tentasse e a Virgem tinha me tido para seguir em frente”.

Ele fez um caminho que durou mais de um ano e meio. Um dia, Luca percebeu que já não sentia nenhuma atração por homens. “Tinha ido passar o dia na praia com meus amigos do grupo, permanecia horas conversando com um com o outro. E nesse momento percebi que, em uma situação que antes teria me excitado, agora não sentia nada, já não me sentia atraído”.

Uma família

Luca viajou a Medjugorje com a sua paróquia e lá pediu à Virgem para encontrar uma mulher para formar uma família. Ele teve um relacionamento que logo depois terminou com uma colega de trabalho e, no verão, decidiu voltar ao mesmo santuário mariano para participar de um festival de jovens.

“Lá eu conheci uma garota que tinha ido no mesmo grupo que eu, era linda, começamos a conversar. Começamos a sair e eu lhe contei a verdade, tudo o que tinha acontecido na minha vida, porque queria ser sincero com ela. Fiquei surpreendido porque ela me respondeu com muita doçura: ‘Não me importo com quem você era antes, mas com quem você é agora. Se você é sincero e quer viver assim, sigamos em frente’”, recorda.

Dois anos depois, esta jovem e Luca se casaram.

Os Centros para o Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) assinalam que uma “carga viral indetectável” de HIV “reduz a possibilidade de transmissão do vírus” a um parceiro sexual e “é bom para a saúde geral de uma pessoa HIV positivo”. Esta baixa carga viral pode ser alcançada tomando medicamentos diariamente contra o HIV e seguindo o tratamento apropriado.

Depois de alguns anos sem ter filhos, a esposa de Luca engravidou e teve uma menina. Segundo explica ao Grupo ACI, o seu objetivo é “que quem quiser receber ajuda em sua atração pelo mesmo sexo possa fazê-lo livremente. Eu fiz isso e sou muito feliz, gostaria que quem estivesse na mesma situação pudesse escolher livremente”.

Luca e sua esposa fundaram o grupo Lot Regina della Pace, no qual se dedicam a ajudar outras pessoas que tenham feridas e dependências a nível emocional, relacional, de identidade sexual, de abuso e violência e que têm dificuldade em ter relacionamentos bons e saudáveis com os outros.

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