Homeschooling já é realidade no Brasil

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Educar os filhos em casa está se tornando uma cultura entre várias famílias brasileiras. Apoiada em princípio constitucional Camila explica aos leitores de ZENIT como fazer isso funcionar no Brasil. Aberta as inscrições para o curso online “Homeschooling 1.0”.

ESCOLASUltimamente a imprensa nacional tem relatado e denunciado diversos casos de abusos de professores, em sala de aula, contra crianças indefesas, até mesmo em escolas particulares da capital federal. E quando não é violência física e psicológica, é violência moral que pretende ensinar às crianças a ideologia de gênero. Nasce uma resposta a essa necessidade de segurança dos pais: o homeschooling.

“Homeschooling 1.0” é o nome do primeiro curso online sobre Educação domiciliar que Camila Hochmüller Abadie – mãe de família – está oferecendo para os pais interessados no tema. O curso é fruto dos seus anos de experiência com Homeschooling no Brasil.

O objetivo é “subsidiar aos interessados os elementos necessários para uma boa pesquisa e prática da educação domiciliar, oferecendo-lhes, além disso, o conhecimento necessário para a defesa do seu direito ante às objeções, pressões sociais e jurídicas”.

O curso vai conter “Informações históricas; Informações de cunho psicológico; Informações de cunho técnico: questões jurídicas e pedagógicas; Dicas práticas: indicações de sites, blogs, metodologias, materiais didáticos, cursos, profissionais capacitados e bibliografia”, indica o blog de Camila Abadie.

Em entrevista a ZENIT, Camila Abadie esclareceu para os nossos leitores o que significa e quais são as consequências, de educar os filhos em casa, aqui no Brasil. Trata-se de um direito constitucional, defende Camila, e que é possível no País. Basta um pouco de conhecimento e perseverança daqueles pais que desejam dar uma esmerada formação aos próprios filhos.

Nessa semana – do 29 de Junho ao 06 de Julho – foram abertas as inscrições para o curso “Homeschooling 1.0” destinado aos pais desejosos de saber mais sobre este tema. O curso se divide em oito aulas em vídeo (com links para assisti-las online e também para download), uma por semana, entregue diretamente no e-mail; Material de apoio em pdf com todas as referências citadas ao longo do curso; Comunidade secreta no facebook para convívio dos membros e troca de experiências. As aulas terão início no dia 13 de julho e terminarão no dia 31 de agosto.

Para mais informações e dúvidas, escreva para: encontrandoalegria@gmail.com ou acesse: http://encontrandoalegria.blogspot.com.br/

Acompanhe abaixo a entrevista na íntegra:

ZENIT: Fale um pouquinho de você. Desde quando você se dedica ao Homeschooling? E por que quis fazer essa experiência?
Camila: Minhas pesquisas (e de meu marido) a respeito do homeschooling começaram quando nossa filha estava na primeira série do ensino fundamental, cerca de quatro anos atrás. Nossa investigação começou como curiosidade, mas, decorrido pouco mais de um ano, tornou-se uma necessidade, pois percebemos que precisávamos ajudar nossa filha. A escola estava muito aquém de suas capacidades e ela estava começando a se entristecer e desanimar pela falta de estímulos e desafios. Nosso temor é que ela terminasse por criar uma resistência definitiva contra o estudo, então o homeschooling surgiu como uma possibilidade de salvar seu desenvolvimento intelectual, oferecendo a ela todos os estímulos e desafios de que tanto precisava. Há quem pensa que bastaríamos tê-la mudado de escola. No entanto, as pessoas ignoram que a política educacional adotada em nossos dias não é a de fortalecer os alunos com maiores dificuldades para que eles acompanhem os mais fortes, mas o contrário: segurar os mais rápidos para que eles acompanhem os mais lentos. E isso é assim durante os 3 primeiros anos de escolarização, pois nenhuma criança pode ser reprovada, garantindo assim as estatísticas falaciosas do governo. Ou seja, justamente durante o período em que as crianças estão mais abertas e dispostas, elas são impedidas de crescer. Agora, minha filha floresce!

ZENIT: Mas, não é mais difícil educar em casa, isolada das outras crianças? As crianças não perdem, assim, no fator “sociabilização” e convivência com o próximo?

Camila: Pelo contrário! Pense comigo: é mais fácil ensinar uma, duas ou três crianças na tranquilidade de seu ambiente familiar, onde se sentem seguras e aceitas, ou ensinar a 20, 30 ou 40 crianças num ambiente que lhe é estranho, onde se sentem inseguras e muitas vezes são discriminadas ou perseguidas? Muitas pessoas levantam essa questão da socialização sem perceberem que esta é uma objeção totalmente deslocada. Afinal, quando foi que a escola transformou-se em clube? Quando foi que o entretenimento tornou-se mais importante que o conhecimento? Quando as escolas abriram mão da sua missão de transmissoras de conteúdos e resolveram prestar mais atenção com relações sociais elas fracassaram duplamente: deixaram de contribuir para a formação intelectual e promoveram contextos extremamente nocivos para a formação psicológica e social das nossas crianças. Além disso, a criança que é educada em casa estreita os vínculos com aqueles que são a sua raíz: seus pais, seus avós, seus tios. Isso fortalece a família de um modo que já muitas gerações não conhecem mais! Ela também convive com as crianças dos círculos sociais dos pais. Enfim, há muitas opções de socialização para a criança homeschooler. Muitas e mais saudáveis do que a escola hoje oferece.

ZENIT: A justiça brasileira permite tal prática? Como você conseguiu?

Camila: O artigo 205 da Constituição afirma que a educação é dever dos pais e do Estado. Ou seja, também é meu dever dar educação de qualidade aos meus filhos, não somente do governo. Como não há uma tradição de educação domiciliar em nosso país, a esmagadora maioria de nós vive no automatismo de enviar os filhos para a escola, terceirizando totalmente esse aspecto da vida das crianças. No entanto, a Constituição é clara: é nosso dever também! Seja a criança enviada à escola ou não. Claro, há legislações hierarquicamente inferiores, como o ECA, por exemplo, que falam sobre obrigatoriedade de matrícula em escola. Quanto a isso eu e meu marido conscientemente desobedecemos. Embora nossos esforços não sejam perfeitos, sei que estamos fazendo um trabalho muito superior ao que a maioria das escolas oferecem, portanto, amparados pela Constituição e pelos resultados do nosso trabalho, nos recusamos a matricular nossos filhos. Inclusive falamos isso aos conselheiros tutelares que nos visitaram e eles concordaram conosco.

ZENIT: Conhece outras famílias brasileiras que percorrem o mesmo caminho educacional? Você mantém relação com elas?

Camila: Conhecemos famílias por todo o Brasil, algumas pessoalmente outras virtualmente, que praticam o homeschool, e fazemos questão de conviver com todas as que nos são próximas, pois somos uma primeira geração em nosso país, enfrentando as mesmas incompreensões e dificuldades. Precisamos e nos ajudamos muito mutuamente.

ZENIT: Fale um pouco do curso. É o primeiro? Pretende fazer mais cursos? O seu curso já nasce completo ou mais do que oferecer um mapa todo traçado, o que o seu curso pretende é incentivar as famílias a arriscarem no método e, assim, gerarem uma cultura mais forte de Homeschooling no Brasil?

Camila: Sim, está é a primeira turma. Com o tempo de pesquisas e de experiência prática que alcançamos, o curso “Homeschooling 1.0” surgiu como a maneira mais rápida e completa de oferecer ajuda aos muitos pais que passaram a entrar em contato conosco e que desejam alguma orientação. O curso pretende oferecer algumas das ferramentas que descobri ao longo do tempo para uma prática mais qualificada, mas também almeja dar condições de compreenderem tudo o que está em jogo ao decidirem por essa opção, bem como de defenderem a sua escolha diante das pressões e censuras que a sociedade nos inflige. Se tudo der certo (e até o momento a procura tem sido grande), no futuro haverá novas turmas. Acredito que o homeschooling é um movimento que pode trazer grandes esperanças ao Brasil, já que a escola e o governo têm garantido apenas as piores colocações nos rankings internacionais e os maiores índices de homicídios do mundo.

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