Padres ‘casados’ para a Amazônia?

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Os problemas sociais e eclesiais da região Pan-Amazônica – o pulmão do mundo, com floresta tropical de 5,5 milhões de quilômetros quadrados – será objeto, daqui a dois anos, de uma Assembleia especial, em Roma, do Sínodo dos bispos. 

Amazônia é dividida entre nove países

– BrasilPeruEquadorColômbiaVenezuelaBolíviaGuianaSuriname e Guiana Francesa, mas pertence principalmente aos três primeiros.

Apresentando o próximo Sínodo “especial” (ou seja, dedicado a uma região particular do mundo), Francisco explicou: “O principal objetivo desta convocação é identificar novos caminhos para a evangelização daquela porção do Povo de Deus, especialmente os indígenas, muitas vezes esquecidos e sem a perspectiva de um futuro sereno, em parte por causa da crise da floresta amazônica, pulmão de capital importância para o nosso planeta”.

A co-existência entre povos muito antigos e as tecnologias moderníssimas dos novos patrões dá origem a complexas questões sociais e culturais.

Nesse contexto insere-se o problema dos presbíteros: para os “primeiros povos” é inconcebível um líder religioso – um padre, no caso – celibatário; para eles apenas um pai que saiba muito bem administrar a sua família pode ser eleito líder de uma comunidade de famílias, e, portanto, também de uma paróquia. Além disso, desde sempre as igrejas orientais, incluindo a católica, têm também um clero casado. Como auspiciado por monsenhor Erwin Kräutler (bispo emérito do Xingu), no próximo Sínodo irá surgir, portanto, a questão dos “viri uxorati“: homens maduros, casados, a serem ordenados padres. Será, talvez, o início do fim do celibato obrigatório dos padres na Igreja latina: a princípio, apenas na Amazônia e, depois, pouco a pouco, também em terras europeias tradicionalmente cristãs, onde os seminários estão cada vez mais vazios, porque muitos jovens, que gostariam de dedicar a sua vida à Igreja, não têm a intenção de fazê-lo sozinho, mas com uma companheira.

A reportagem é de Luigi Sandri, publicada por Trentino, 16-10-2017. A tradução é de Luisa Rabolini.

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