Papa Francisco: as ideologias acabam se transformando em ditadura

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O papa Francisco fez um inflamado discurso na noite deste sábado em Assunção, quando recriminou as ideologias e afirmou que todas elas acabam se transformando em ditaduras.

PAPA FRANCISCOFrancisco falava a representantes da sociedade civil em um encontro no estádio León Condou de Assunção.

“As ideologias sempre terminam em ditaduras”, advertiu o papa em um discurso improvisado, mas muito aplaudido.

“As ideologias terminam mal, não servem. Não assumem o povo, por isso pensem no século passado, em que terminaram as ideologias, em ditaduras, sempre”, enfatizou.

Francisco também pediu que a juventude lute pelo que vale a pena, mas “jogando limpo e sem subornar”.

“Não tenham medo de dar tudo em campo. Não tenham medo de dar o melhor de si”, afirmou, usando metáforas futebolísticas.

“Joguem limpo. Não subornem o juiz”, afirmou, acrescentando que a corrupção é “a gangrena de um povo”.

“Outro método que não dá liberdade é a chantagem e isso é sempre corrupção”, afirmou o papa ante cerca de cinco mil pessoas.

“É um fenômeno que se repete em todos os povos do mundo”, acrescentou.

O Papa voltou a criticar “o modelo econômico imperante, que precisa sacrificar vidas humanas no altar do dinheiro e da rentabilidade”.

“Na economia, na empresa, na política, o principal é a pessoa e o lugar onde ela vive”, concluiu.

Missa para um milhão

Mais cedo, uma multidão acompanhou com fervor o papa Francisco no santuário da Virgem dos Milagres de Caacupé, padroeira do Paraguai, onde, mais cansado do que em outros dias, se emocionou ao pedir para que não percam a memória, as raízes nem a razão de suas lutas.

Cerca de um milhão de pessoas tomaram a Villa Serrana de Caacupé, 50 km a leste de Assunção, onde milhares passaram a noite na intempérie, indicou uma fonte da Polícia Nacional paraguaia à AFP.

“Estar aqui com vocês é me sentir em casa, aos pés de nossa Mãe, a Virgem dos Milagres de Caacupé”, disse diante de uma multidão que carregava cartazes com frases famosas do sumo pontífice e agitava bandeiras com as cores do Vaticano, do Paraguai e inclusive da argentina natal de Francisco.

Um dos momentos de maior alegria coletiva ocorreu durante a oração do Pai Nosso em guarani, quando o Papa articulou algumas palavras nesta língua, oficial, assim como o espanhol, nesta nação de sete milhões de habitantes, 90% deles católicos.

“Este é um lugar de festa, de encontro, de família. Viemos apresentar nossas necessidades, viemos agradecer, pedir perdão e recomeçar”, lançou Francisco a partir do altar, ante a esplanada abarrotada em sua capacidade máxima.

O Papa, de 78 anos, cumprimentou doentes e deficientes físicos no interior da basílica, onde um coro entoou canções religiosas em ritmo da polca paraguaia, que emocionaram tanto Francisco a ponto de ele atrasar sua saída à missa pública, indicou o bispo de Caacupé, Claudio Jiménez.

“Façam bagunça!”, foram algumas de suas frases famosas que apareceram nos cartazes carregados por uma multidão que o esperou com cantos e gritos no Paraguai, última etapa de sua viagem à América do Sul.

Antes de viajar a Caacupé, o Papa argentino visitou o hospital de crianças portadoras de câncer Acosta Ñu, em San Lorenzo, nos arredores de Assunção, onde improvisou uma emotiva mensagem aos pais dos menores.

Além disso, manteve em Assunção um encontro “comovente, impressionante”, com familiares de Esther Ballestrino de Careaga, uma das fundadoras da organização argentina Mães da Praça de Maio e com quem o pontífice trabalhou quando tinha 17 anos.

Depois Francisco embarcou em um veículo de 1989, o mesmo utilizado pelo papa João Paulo II há 27 anos quando visitou o Paraguai.

Antes de ir para o estádio León Condou, Francisco fez uma visita surpresa a pacientes terminais, incluindo crianças, na Fundação San Rafael, no bairro Villa Morra, em Assunção, em um compromisso que não estava programado em sua agenda oficial.

A visita, que durou dez minutos, foi organizada pelo padre Aldo Trento, diretor da fundação e grande protetor dos portadores de câncer a aids.

Depois de visitar Equador e Bolívia, o pontífice chegou na sexta-feira a este país, uma visita considerada a mais espiritual de seu périplo, marcado por seu histórico pedido na quinta-feira para que “o mundo mude”.

As críticas ao atual modelo econômico que só respeita a lógica da ganância, multiplica o número de excluídos e destrói a natureza formam parte da mensagem que o papa argentino levou a três dos países mais pobres da América do Sul.

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