Sou um padre casado – e acho que os padres não devem se casar

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O padre Joshua J. Whitfield, que se converteu do anglicanismo à Igreja católica, falou da sua história de vida no jornal norte-americano Dallas Morning News. Confira a seguir um trecho traduzido:

Os apelos por mudança na disciplina do celibato são normalmente ignorantes ou negligentes no tocante ao que a Igreja chama de “fruto espiritual” do celibato, algo essencialmente incompreensível nesta época libertina, mas que, mesmo assim, continua sendo verdadeiro e fundamental para a obra da Igreja. É verdade que o fato de ser casado me ajuda no sacerdócio: o entendimento e até a simpatia granjeada por ser marido e padre ao mesmo tempo acabam sendo, em certas ocasiões, verdadeiras vantagens. Mas isso não quer dizer que eu questione o bem do celibato clerical ou a contribuição dos meus colegas celibatários ao seu ministério. E, em todo caso, o que mais importa é a santidade, não o matrimônio nem o celibato.

Argumentos dispersos à parte, o que costuma passar despercebido são as autênticas razões pelas quais pessoas como eu se tornam católicas, além do autêntico motivo pelo qual a Igreja católica permite, em determinados casos, a ordenação de homens casados. E o motivo é, insisto, a unidade cristã.

Quando você encontrar um homem casado que exerce o ministério sacerdotal na Igreja católica, pense nos sacrifícios que ele realizou em nome da sua fé na verdade. Pense na unidade cristã, não na mudança. É isto o que eu gostaria que as pessoas pensassem ao verem a mim e a minha família. Nós nos tornamos católicos porque a minha esposa e eu acreditamos que o catolicismo é a verdade, a plenitude do cristianismo.

E nós respondemos a essa verdade, o que significava (como sacerdote episcopal anglicano na época) abandonar o meu estilo de vida e quase tudo o que eu conhecia – e justamente quando a minha mulher estava esperando o nosso primeiro filho.

Como a Igreja católica acredita que os cristãos deveriam unir-se, ela abre exceções, sob certas condições, às suas próprias normas e disciplinas, às vezes antiquíssimas: no meu caso, o celibato.

A minha família e eu não somos objeto de experimentos realizados pelo Vaticano para ver se um padre casado consegue trabalhar. O que somos é testemunhas da empatia e do desejo da Igreja pela unidade. É isso o que nós, sacerdotes casados, desejaríamos que as pessoas vissem: o catolicismo pelo qual nos apaixonamos e pelo qual fizemos tantos sacrifícios.

E é uma vida de sacrifício, uma vida compartilhada por toda a minha família – provavelmente, mais pela minha esposa do que por qualquer outro. Nunca estivemos tão ocupados nem tão esgotados, mas também nunca tínhamos sido tão felizes quanto agora. Meus filhos, aliás, fazem sacrifícios pela Igreja todos os dias. Às vezes é duro, mas vivemos isso com alegria; primeiro, porque quem se beneficia é a nossa fantástica paróquia, e, segundo, porque estamos numa Igreja que amamos e na qual acreditamos, não numa Igreja que queiramos mudar.

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O artigo completo, em inglês, pode ser lido no site do Dallas Morning News

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