Suposto papiro sobre Jesus Cristo é reconhecido como falso por sua divulgadora

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O que numerosos acadêmicos advertiram em 2012 sobre o chamado “Papiro da esposa de Jesus” é agora confirmado pela sua principal divulgadora, a historiadora Karen King: O texto corresponde a uma falsificação. De fato se trata de uma falsificação muito bem executada, que conseguiu burlar as provas de Carbono 14 mas não conseguiu convencer os especialistas nem resolver as graves dúvidas sobre sua origem.FALSO DOCUMENTO SOBRE JESUS

Durante o X Congresso Internacional de Estudos Coptos realizado em Roma em setembro de 2012, um fragmento de papiro foi notícia internacional por conter a expressão “minha esposa” na boca de Jesus. Os estudiosos advertiram imediatamente que o texto não significava nenhuma contribuição sobre a história de Jesus por tratar-se -caso fosse autêntico- de um escrito gnóstico com grande influência de outros já conhecidos.

O pequeno pedaço de papiro foi objeto de análise sobre seu conteúdo, que localizaram os fragmentos como pertencentes ao chamado “Evangelho de Tomé”, copiados, inclusive com os mesmos erros, de uma edição interlineal publicada na Internet. As dúvidas de autenticidade do texto se geraram pelo uso de um papel autenticamente antigo (possivelmente do século VII) e o uso de uma tinta de carbono fabricada com os métodos da época. A escritura imita o tipo de letra do século IV, mas não coincide com os tipos de letra registrados, identificando-se com o tipo de caligrafia de um texto da cidade de Licópolis no Egito do qual se demonstrou sua falsidade.

As análises de Carbono 14 estabeleceram a idade do papel, mas não da tinta, já que se teria requerido destruir parte do texto para seu exame, a técnica usada para a falsificação foi a de “collage” ou “patchwork” que segundo um estudo publicado na revista ‘New Testament Studies’ sugere um autor moderno com conhecimentos limitados do idioma copto. “O tempo lançará mais luz sobre a identidade e motivação do falsário responsável de GJW (iniciais do nome midiático do papiro). Mas à espera desses esclarecimentos, ao menos podemos dizer com certeza que “O Evangelho da mulher de Jesus” é uma falsificação que não tem cabimento em nenhuma discussão sobre o cristianismo antigo”, conclui a publicação.

A recente publicação de The Atlantic sublinhou as dúvidas sobre outro dos assuntos não resolvidos da história: a duvidosa procedência do papiro, recebido por King das mãos de um colecionador anônimo. A investigação percorreu a história reportada por King, cujos protagonistas conhecidos já haviam falecido e cujos únicos documentos uma cópia de uma fatura e a cópia de uma cópia de uma transação. O jornalista Ariel Sabar identificou o provável proprietário como Walter Fritz, um norte-americano com supostos estudos de egiptologia – que negou ao ser entrevistado – e que afirmou não ter vínculo algum com o documento. A história reportada do documento resultou ser bastante duvidosa e quando Karen King foi confrontada com a investigação admitiu. “Isto inclina a balança para a falsificação”.

Esta frase era provavelmente o último elemento que faltava para encerrar o caso do qual os especialistas já tinham denunciado como outro falso escândalo internacional sobre a figura de Jesus Cristo. (GPE/EPC)
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