Após tragédia, Brumadinho celebra pela primeira vez seu padroeiro

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Padre Renê, pároco da Paróquia de São Sebastião, em Brumadinho, afirma: “Que essa festa não seja algo que aumente mais a nossa dor, mas que tenha tudo para minimizá-la”

Julia Beck
Da redação canção nova

A Paróquia de São Sebastião, em Brumadinho, celebrará pela primeira vez nesta segunda-feira, 20, a festa de seu padroeiro após o rompimento da barragem da Vale na Mina Córrego do Feijão. A tragédia, que despejou cerca de 11,7 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério e matou 272 pessoas, ainda é recordada pela comunidade que busca superar a perda de muitas pessoas e paroquianos da igreja dedicada ao santo.

Padre Renê Lopes, pároco da Paróquia de São Sebastião, em Brumadinho/ Foto: Reprodução – Diocese de Divinópolis

Padre Renê Lopes, pároco da Paróquia de São Sebastião, recorda que o rompimento da barragem ocorreu logo depois da festa do santo em 2019, celebração caracterizada pela alegria e fraternidade entre os católicos da cidade.

Esse ano, durante os preparativos da festa, o sacerdote afirma que ele, junto a todas as lideranças da comunidade, se esforçaram, mesmo em meio à triste realidade do município, para que São Sebastião fosse festejado.
“Foi muito difícil para nós organizar a festa do padroeiro da nossa cidade sabendo que, no ano passado, muitos dos nossos irmãos que faleceram estavam conosco, envolvidos, nos ajudando com as celebrações, liturgia, terços, barracas e este ano, não estarão conosco”, contou padre Renê. O sacerdote prosseguiu: “Tem sido doloroso, mas é sobre esta dor que estamos tentando fazer o melhor, o melhor para o encontro de oração, de partilha e descontração que é esta festa”.

Apesar de o momento ser de dor, padre Renê explica que a comunidade se esforça para ter momentos de alegria e felicidade. Para o sacerdote, agora, mais do que nunca, os católicos de Brumadinho sentem-se amparados por São Sebastião. “Sabemos o testemunho de nosso padroeiro, São Sebastião, que sofreu duplo martírio. Hoje, ele nos representa, enquanto testemunho de fé”, comentou.

Por fim, padre Renê afirmou: “Estamos dando o nosso melhor para que essa festa não seja algo que aumente mais a nossa dor, mas uma festa que tenha tudo para minimizá-la”.

O rompimento da barragem na Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, completa um ano neste sábado, 25. A tragédia é considerada o maior acidente de trabalho da história do país. Além disso, causou um enorme impacto ambiental, contaminando a água e o solo da região e matando milhares de animais.

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