Santa Adelaide, Alice ou Adélia
Santa Adélia, Imperatriz do Sacro Império, Santidade na tragédia e no triunfo

Se for difícil praticar a virtude no auge da glória temporal, também o é em meio às maiores tribulações. Santa Adélia soube manter, em ambas as circunstâncias, uma firmeza na virtude, que faz dela não só uma grande Santa, mas também uma grande Imperatriz.

A vida de Santa Adélia emociona pelos sofrimentos que passou. De rainha tornou-se prisioneira, sofreu maus-tratos e passou por diversas privações para, depois, finalmente, assumir um império. Tudo isso dentro da honestidade, vivendo uma existência piedosa, de muita humildade e extrema caridade para com os pobres e doentes.

Nascida em 931, Adelaide era uma princesa, filha do rei da Borgonha, atual França, casado com uma princesa da Suécia. Ficou órfã de pai aos seis anos. A Corte acertou seu matrimônio com o rei Lotário, na cidade de Pavia, na Itália, no ano de 947. Teve uma filha, chamada Emma e ficou viúva no ano de 950, aos 19 anos. Ele morreu defendendo o trono, que acabou usurpado pelo inimigo vizinho, rei Berengário.

Berengário II, rival de seu marido, foi coroado rei da Itália e queria que Adélia se casasse com seu filho Adalberto. Não conseguindo, aprisionou Adélia por alguns anos. Contudo, ajudada por amigos leais, conseguiu a liberdade. Viajou para a Alemanha para pedir o apoio do imperador Ottone. Mais tarde, o rei da Alemanha, que se proclamou rei da Itália em 951, Ottone I, pediu a mão de Adélia em casamento. Assim, tornou-se a imperatriz Adelaide, caridosa, piedosa e amada pelos súditos e tiveram quatro filhos. A filha Matilde tornou-se abadessa de Quedlimburg e o filho Ottone II sucedeu o pai.

Em 952, o casal retornou à Alemanha. Dez anos depois, o Papa coroou Ottone e Adélia imperadores. Seguindo o exemplo da sogra (Santa Matilde), Adélia multiplicava as esmolas em favor dos doentes, das viúvas e dos órfãos. Abriu mão das roupas luxuosas e jóias. Com o dinheiro que o marido lhe dava, ornamentava as igrejas, libertava prisioneiros, vestia os sem roupas e alimentava os famintos.

Durante anos tudo era felicidade, mas o infortúnio atingiu-a novamente. O imperador morreu e Adelaide viu-se outra vez viúva. Assumiu seu filho Ottone II, que aceitava seus conselhos, governando com ponderação. Os problemas reiniciaram quando ele se casou com a princesa grega Teofânia. Como não gostava da influência da sogra sobre o marido, conseguiu fazê-lo brigar com a mãe por causa dos gastos com suas obras de caridade e as doações que fazia aos conventos e igrejas. Por isso exigiu que Adelaide deixasse o reino.

Escorraçada, procurou abrigo em Roma, junto ao papa. Depois, passou um período na França, na Corte de seu irmão, rei da Borgonha. Mas a dor da ingratidão filial a perseguia, Viu, também, que ele reinava com injustiça, dentro do luxo, da discórdia e da leviandade, devido à má influência de Teofânia. Nessa época, foi seu diretor espiritual o abade Odilo, de Cluny. Ao mesmo tempo, o abade passou a orientar Ottone II. Após dois anos de separação, arrependido, convidou a mãe a visitá-lo e pediu seu perdão. Adelaide se reconciliou com filho e a paz voltou ao reino. Entretanto o imperador morreria logo depois.

Como o neto de Adelaide, Ottone III, não tinha idade para assumir o trono, a mãe o fez. E novamente a vida de Adelaide parecia encaminhar-se para o martírio. Teofânia, agora regente, pretendia matar a sogra, que só não morreu porque Teofânia foi assassinada antes, quatro semanas depois de assumir o governo. Adelaide se tornou a imperatriz regente da Alemanha, por direito e de fato. Administrou com justiça, solidariedade e piedade. Trouxe para a Corte as duas filhas de sua maior inimiga e as educou com carinho e proteção. O seu reinado foi de obrigações políticas e religiosas muito equilibradas, distribuindo felicidade e prosperidade para o povo e paz para toda a nação.

Nos últimos anos de vida, Adelaide foi para o Convento beneditino de Selz, na Alsácia, que ela fundara, em Strasburg.  Morreu ali com oitenta e seis anos de idade, no dia 16 de dezembro de 999.