São Benedito, o Negro (1526-1589), filho de escravos, nasceu em São Filadelfo, nas proximidades de Messina, na Sicília (Itália), uma região que produzia açúcar. Aos 18 anos, vendeu o arado e a junta de bois que possuía e tornou-se eremita, submetendo-se às mais rigorosas penitências na solidão das cavernas. Sua fama de homem misericordioso e compassivo logo se espalhou pela região e devolveu a muitos a saúde física e a paz de espírito.

Aos 38 anos, tornou-se irmão franciscano, no Convento de Santa Maria, onde exerceu o ofício de cozinheiro e guardião do convento. Analfabeto, a todos surpreendia com sua sabedoria e o dom de profetizar. Sua confiança em Deus era tão profunda que, com apenas um sinal-da-cruz, curava enfermos, fazia mortos reviverem e multiplicava os alimentos, para saciar a fome dos pobres.

Ao falecer, aos 04 de abril de 1589, sua devoção começou a se difundir em Portugal, chegando até o Brasil. Porém, somente em 1807, diante da força do clamor de seus devotos negros do mundo inteiro, foi canonizado. Tornou-se, desde 1610, o santo negro mais querido e venerado indistintamente por todos. Sua vida e seus milagres foram transmitidos oralmente de geração em geração.

Hoje, São Benedito ganhou o coração e a estima do povo, especialmente dos simples e excluídos, que veem nele o defensor poderoso, que nunca deixou faltar o pão aos necessitados.

Aqui no Brasil, a CNBB reivindicou sua festa aos 05 de outubro para aproximá-la da festa de Nossa Senhora do Rosário, protetora peculiar dos cativos. É que a Virgem do Rosário e o humilde franciscano São Benedito receberam a devoção dos escravos brasileiros e seus descendentes.